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O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi eleito para o governo de Minas Gerais com 55,4% dos votos válidos no primeiro turno. O parlamentar superou o deputado federal Patrus Ananias (PT), apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terminou a disputa em segundo lugar, com 26,3%. O resultado também representou a derrota do atual governador do estado, Mateus Simões (PSD), que buscava a reeleição como sucessor de Romeu Zema (Novo), e do empresário Flávio Roscoe (PL), que concorreu como palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado.

Sem acesso ao fundo eleitoral de seu partido e com a campanha concentrada nas redes sociais e no interior, Cleitinho conseguiu manter o favoritismo nas urnas, mesmo após uma largada conturbada. Em julho, a direção do Republicanos ameaçou a retirada da candidatura após meses de indefinição do próprio senador.

Popular no estado por sua atuação online, Cleitinho ganhou projeção após episódios como o pedido de foto para a influenciadora Virgínia Fonseca durante o depoimento na CPI das Bets. Ele também chegou a declarar que havia quitado sua dívida com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas voltou atrás após ser criticado por bolsonaristas.

Na disputa em Minas, no entanto, conseguiu tirar o apoio de integrantes do PL e de eleitores de direita de Roscoe. O empresário tem trânsito entre setores produtivos do estado por ter comandado, no passado, a Federação das Indústrias de Minas. Como “outsider” do meio político, no entanto, ele acumulou um alto índice de desconhecimento entre os eleitores mineiros e terminou a eleição com 6,9% dos votos válidos, em terceiro lugar.

Simões também saiu derrotado do pleito, mesmo após ter passado os últimos seis meses na cadeira de governador. Com o maior tempo de TV entre todos os candidatos, ele procurou se apresentar e listar os feitos da gestão de Romeu Zema (Novo), da qual participou como secretário-geral e vice-governador. Já na reta final, no entanto, partiu para o ataque contra Cleitinho e passou a sinalizar que, em um eventual segundo turno, seria palanque em Minas para Flávio Bolsonaro, deixando Zema de lado.

Já Patrus conseguiu concentrar os votos da esquerda ao encabeçar o palanque de Lula no estado, descolando-se, nas últimas semanas de campanha, do desempenho do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), com quem chegou a registrar empate numérico na pesquisa Quaest. Inicialmente, o deputado havia decidido concorrer à reeleição na Câmara, mas foi convencido a disputar o governo pela direção do PT após as recusas do senador Rodrigo Pacheco (PSB) e da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT). Como estratégia, Patrus evitou embates contra os adversários, participando somente do debate da TV Globo, e apostou nas aparições ao lado do presidente durante as quatro visitas dele ao estado.