
Sexta-feira, dia 23 de outubro: dia que entra para a história das mulheres do Agro do Sul de Minas no Capebe Mulher 2026. Tradicional na região, o evento comemora o Mês Internacional das Mulheres Rurais e reúne as cooperadas, esposas, mães e filhas que ajudam a construir uma Capebe forte e igualitária, presente há mais de 63 anos no meio das famílias do campo.
Em escala internacional, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, em inglês) decretou 2026 como o Ano Internacional da Agricultora. Em Minas Gerais, a Capebe contribui para aproximar essa pauta das mulheres cooperativistas, incentivar e reconhecer a liderança delas nos sistemas agroalimentares.
Com o objetivo de empoderar para transformar, 600 produtoras rurais integraram uma tarde de união e o engajamento colocou o Capebe Mulher no centro das atenções. Várias que já participam há anos foram acompanhadas de cooperadas amigas que ainda não conheciam a experiência. Uma delas é Larissa Messias:
“Foi uma imensa alegria participar e compartilhar uma tarde tão maravilhosa no Capebe Mulher. Um momento especial em que a Capebe conecta o Agro à força, coragem e à essência da mulher do campo. Foi um evento de reconhecimento e de olhar para dentro de nós mesmas, valorizar nossa história, reconhecer a determinação e a capacidade que existem em nós. Que nunca nos falte a consciência disso e a certeza de que juntas somos mais fortes”, pontuou a cooperada e filha de cooperados fiéis de Boa Esperança.
Em agradecimento a cada uma que vive o dia a dia do Café, do Leite e dos Cereais ao lado da Capebe, os diretores André Luiz Reis (Presidência), Paulo Roberto Toledo (Comercial) e João Ferreira Neto (Administrativo), juntos ao time de colaboradoras, receberam cooperadas de Aguanil, Boa Esperança, Camacho, Campo do Meio, Campos Gerais, Candeias, Coqueiral, Cristais, Guapé, Ilicínea, Nepomuceno e Santo Antônio do Amparo para interações, dinâmicas, aproximação e uma palestra patrocinada pelo Sistema Ocemg.
Como os números comprovam os argumentos e fortalecem as palavras, o diretor André pontuou o cenário da Capebe que contribui para a declaração da ONU de reconhecimento das agricultoras:
“Gosto de dizer que esse dia é único e marcante na vida de cada uma, porque elas já são nas nossas. Este ano foi declarado o Ano Internacional da Mulher Agricultora pela ONU porque elas ajudam a promover a paz e a segurança alimentar. Quem produz alimento contribui para a calma no planeta e as produtoras brasileiras fornecem para o mundo todo. Na Capebe, mais de duas mil cooperadas são essenciais. Em 2025, dos mais de 800 novos cooperados, cerca de 200 são mulheres. Este ano, já são mais de 160 até o momento. Isso é a mulher na tomada de espaços e o meu conselho é que não tenham medo de ser fortes e líderes. Uma mulher forte não faz do homem mais fraco. Pelo contrário, forma uma sociedade mais justa, pois o nosso núcleo é a família. Se temos mulheres empoderadas, todos se tornam mais pujantes”, explicou.
Logo no credenciamento, as colaboradoras entregaram a camiseta oficial e brindes. Cada edição do Capebe Mulher reserva uma ação especial que anima toda a plateia. Assim que conheceram os apresentadores e conversaram um pouco, a Missão Guarda-Chuva foi dada: quem tirou uma foto, postou nas redes sociais com a #CapebeMulher2026, marcou e seguiu o perfil oficial da cooperativa, levou para a casa um guarda-chuva personalizado.
Mais uma vez, a organização preparou dinâmicas e a primeira delas foi o alongamento e palestra com Raquel Araújo, fisioterapeuta e educadora física, com foco no cuidado com o corpo e com a mente das cooperadas. Um dos pontos altos do Capebe Mulher 2026, a cooperativa prestou homenagens às três vencedoras do 3º Concurso de Cafés Especiais Vozes Femininas e a outras quatro produtoras que contaram a trajetória no videocast Histórias de Mulheres Fortes.
Na preparação para o Capebe Mulher 2026, Cristiele de Souza, Jaíne Mariane Silva, Keila Aparecida Ferreira e Maisa Monteiro, foram as que decidiram encarar as câmeras e motivar milhares de mulheres do campo com as lutas e glórias que viveram. Atualmente, têm famílias formadas e lavouras apoiadas pela Capebe. Atravessaram acontecimentos únicos, mas todas colocaram o Agro em primeiro lugar e hoje são reconhecidas.
Entre a empolgação e a comoção, todas subiram ao palco para receber troféus e bater um papo com as colegas. Ao lado delas, Débora Fernanda Araújo curtiu o evento confortável e reforçou a importância feminina na Cafeicultura:
“Esse evento voltado para as mulheres é algo maravilhoso, porque nos ajuda a ter mais perseverança tanto no campo, quanto para apoiar os maridos nos afazeres da lavoura. Gostei muito dos depoimentos, pois irão envolver mais cooperadas no ano que vem, com muito mais inscrições e dedicação para produzir Cafés Especiais para o Concurso Vozes Femininas. Essa reunião fortalece umas às outras”, afirmou.
Após histórias marcadas por superação, determinação e combate aos preconceitos enfrentados pelas mulheres rurais, Luiza Carla de Assis (Candeias) completou a participação com uma entrevista que resume o sentimento de quem foi ao evento:
“Sou filha de produtor de Café e acho muito ‘bacana’ os eventos voltados para nós, que nos inspiram na missão da sucessão familiar. Estou com 23 anos e gosto muito desse ramo, portanto eu pretendo evoluir cada vez mais. Quero entrar no meio e esse projeto da Capebe é uma coisa que nos incentiva a continuar. Também fiquei admirada com os depoimentos das mulheres, são histórias que fazem com que nos coloquemos no lugar delas e haja uma empatia muito grande”, destacou a jovem.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres são cerca de 40% da mão de obra agrícola nos países em desenvolvimento. Elas estão no plantio, colheita, cuidado com os animais e com a família, muitas das vezes ao mesmo tempo. Na geração de emprego, são 213 colaboradoras Capebe, dentro de um setor cooperativista formado por um quadro 55% feminino em Minas Gerais.
Outro dado diretamente relacionado à gestão organizada e eficiente da Capebe, é o crescimento feminino em cargos de gerência, que ocupam 20% na lista de colaboradores contratados para a tomada de decisões em conjunto com a Diretoria e Conselho. Muito antes desse avanço, uma mulher, colaboradora e cooperada já era peça fundamental na criação de negócios da Capebe que vieram a ser um sucesso: seu nome é Betania Reis.
Ela atuou como agrônoma quando ainda era improvável de ver mulheres na assistência técnica e chegou na Capebe para ser gerente Comercial, onde teve a ideia de lançar a Feira de Negócios. Um trabalho muito sério e comprometido a fez diretora Comercial de Revendas e exemplo para as cooperadas que ouviram o discurso dela no Capebe Mulher 2026.
“Eu fico até emocionada, porque de todos os eventos que a Capebe faz, esse brilha meus olhos. Represento as colaboradoras e as mulheres do Agro. Assim como elas, tenho Café e me sinto orgulhosa de ver essa força e conexão em um só propósito: nos transformar no dia a dia. Quando me formei em 2000, eu era a única mulher da sala e enfrentei grandes desafios para começar a trabalhar em um mundo machista. Hoje as mulheres são bem-vindas para fazer parte, porque nós trazemos uma força que os homens não possuem: resiliência e amor materno. Afastem o pessimismo e não desanimem. Além da missão especial que temos no mundo, a nossa é melhor ainda: alimentar as pessoas. Fomos escolhidas para essa dádiva, para cumprir com muito amor, dedicação e paciência”, observou.
No saboroso Café da tarde com produtos Mombó, a saudade de amigas chegou ao fim e novas amizades foram feitas para troca de experiências e inspirações. Diferente de muitos eventos técnicos do Agro, o Capebe Mulher propõe mais descontração e emoção para que as cooperadas compreendam que a vida não é só trabalho e sintam o valor que representam.
Quando foi hora de mais uma dinâmica, a mulher que conheceu alguém de outra cidade foi convocada à frente do palco para apresentar a nova amiga. Mais brindes foram distribuídos para quem demonstrou interesse pela atividade e ao longo de uma série de perguntas sobre a Capebe, com a lição de que cooperar é construir laços.
De acordo com o diretor Administrativo, João Ferreira Neto, as iniciativas especiais que a Diretoria dedica às mulheres do Agro fazem parte do trabalho do Conselho de Administração, focado em dar mais oportunidades reais de crescimento, por meio de treinamentos, concursos e parcerias:
“Quanta gratidão temos por essas mulheres presentes na Capebe. Produzimos mais uma safra de superação, junto com produtoras de toda a região. São várias cooperativas dentro de uma só: a Capebe. Só para se ter uma ideia da importância da mulher no Agro do nosso país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são mais de cinco milhões de propriedades rurais e dessas, 947 mil (20%) são dirigidas por mulheres. Já imaginou se somarmos as que estão ao lado dos homens? Ou seja, são cooperadas vencedoras e nós estamos aqui para trabalhar por vocês”, informou.
Apesar de os homens serem maioria entre produtores rurais e administradores do setor, 1.7 milhão de mulheres já comandam ou codirigem estabelecimentos agropecuários no país. De Belo Horizonte para Boa Esperança, a palestrante, pedagoga e mestre em Educação do Sistema Ocemg, Claudia Moura, abordou o tema “Múltiplos Papéis da Mulher” e encerrou a programação repleta do empoderamento que transforma propriedades no Sul de Minas e no Brasil.
Desde 1963 no mercado, a Capebe acompanha o ingresso de profissionais qualificadas na coordenação de departamentos e de produtoras na gestão de propriedades. Em apenas dois anos, as estatísticas apontam um avanço de mais de 40% no cadastro de novas cooperadas, dado que baseia a crença do diretor Comercial, Paulo Roberto Toledo, em estratégias assertivas para agregar valor a essas agricultoras e pecuaristas.
“Agradeço a vocês imensamente. Estamos muito felizes por cada ano nos surpreender mais pela quantidade de mulheres do Agro na região onde a Capebe atua. Em 2025 foram 400 produtoras no evento, agora 600. Hoje a Capebe é uma gigante no Agro graças a vocês. Pouco tempo atrás, não tinha espaço para a mulher do Agro, os homens eram machistas e hoje vemos diferente: as mulheres fazem a sucessão. Por isso o Agro é forte, por contar com mulheres dedicadas que produzem qualidade”, comentou.